quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Picante e Exótica

Feita a base de peixes e frutos do mar, a culinária espanhola é uma mistura de influências culturais tão saborosa quanto a paella.

Com sua farta e esplendorosa gastronomia, a Espanha alimentou gênios como Gaudi, Picasso, Dali, Miró, Buñuel. Não é viagem de D. Quixote, o personagem de Cervantes, dizer que o sabor dessa culinária, que mistura temperos de diversas culturas, é tão forte quanto a personalidade do próprio país.

São muitas as interpretações e os tipos de pratos que freqüentam a mesa dos espanhóis. Tudo depende da região e da influência. Mas azeite, açafrão, salsinha, batata, feijão e pimentón picante ou dulce concedem um aroma especial e um colorido exuberante aos simples e frescos ingredientes vindos principalmente do mar, tanto nos tapas (petiscos que são mania) quanto nas tradicionais paellas, gazpachos e tortillas.

Daniela Hispagnol, Tomás e Pilar Lorente trouxeram para o seu Toro algumas das iguarias mais apreciadas pelos espanhóis. O ambiente moderno, em que predomina o vermelho-escarlate, é a tradução da tradição e da cultura do país. O charme está em passar a tarde com os amigos picando (beliscando) uma infinidade de irresistíveis tapas (petiscos) e bebericando um bom jerez (vinho de uva Palomino) ou um delicioso cava (espumante).

Inovador, no Toro, a magia introduzida pelo chef Julian Gil, que adapta de forma delicada e saborosa as delícias espanholas à cultura brasileira. Algumas de suas receitas trazem combinações curiosas, que misturam mandioquinha e farofa aos pratos mais tradicionais e temperam as sobremesas típicas à brasilidade da goiabada e do maracujá. A gastronomia do Toro mantém o sabor espanhol tradicional, com a leveza e a sensibilidade da cozinha contemporânea. Impossível não se render naturalmente às saborosas maravilhas espanholas.

Daniela Hispagnol e o chef Julian Gil cederam duas receitas do Toros de sua cozinha para a revista Pólo. E não é paella.

Arroz de Cigalas (Risoto de Lagostim)

Ingredientes:

150grs de lulas frescas; 150grs de cambucu; 350grs de lagostim; 160grs de arroz; 120grs de molho de tomate refogado com cebola; 1 colher de Sopa de Picada (amassar 1grs açafrão, 5grs de alho e 5grs de amêndoa); Azeite de oliva; Salsinha; 1/2 litro Caldo de peixe (Fumet)

Modo de fazer:

Refogue as lulas e o cambucu no azeite de oliva em uma panela funda. Adicione o molho de tomate, o arroz e a picada. Refogue bem e adicione metade da porção de fumet fervendo, salgar e mexer constantemente com uma colher de pau para que o arroz solte o amido para dar a liga. Ir adicionando o restante do fumet c, salgue constantemente e mexa com a colher de pau para dar liga. Vá adicionando o restante do fumet conforme o arroz for secando sem deixar que fique seco, mexendo por quinze minutos. Caso o arroz não esteja ainda no ponto, adicione mais fumet. Abra o lagostim pelas costas em duas partes e adicione ao arroz. Deixar ferver por mais três minutos, sempre mexendo. Adicione um pouco de salsinha picada e servir imediatamente. Nota: a consistência deve ser cremosa.

Montagem:

Sirva em prato fundo e coma com colher, como fazem os espanhóis.

Vinho:

A elegância do arroz de cigalas pede a harmonização com o vinho Dom Pedro De Soutomaior, da Galícia. A presença de mineral e salinidade dos crustáceos combina com este vinho branco, elaborado com uvas albariño, de acidez que lhe confere frescor e com notas florais (acácias e rosas).

Albariño Dom Pedro De Soutomaior "Neve" R$ 98,00

Cordero asado con farofa de jamón (Cordeiro assado com farofa de presunto ibérico)

250grs de pernil desossado; 30grs de aspargo; 60g de batata; 1 ovo; 5grs de presunto ibérico; 50grs de farinha de mandioca; 5grs de sal e pimenta; 500grs de azeite; 6grs de molho rôti

Modo de fazer:

Cordeiro Confitado:

Limpe o pernil de cordeiro, adicionar sal e pimenta. Aqueça o azeite a 160 graus e mergulhe o cordeiro juntamente, com alecrim, tomilho e alho, a gosto. Cozinhe por duas horas. Depois de pronto corte em fatias de aproximadamente 1 cm de espessura.

Farofa:

Refogue o presunto ibérico, adicionar ovo e a farinha de mandioca, mexa bem até ficar crocante.

Aspargos:

Pele os aspargos desde a ponta até o tronco, retire a parte mais dura do tronco e grelhe na chapa até ficar al dente.

Batata:

Descasque e fatie as batatas em lâminas finas e redondas, sele na chapa com azeite de oliva, sal e pimenta do reino. Retire e frite na frigideira até ficar crocante. Deixa escorrer no papel absorvente.

Montagem:

Disponha as batatas no prato, coloque o cordeiro por cima, em uma das laterais, a farofa naoutra, e os aspargos na diagonal por cima do prato. Regue o cordeiro com o molho.

Vinho:

A melhor opção é o vinho tinto Protos Crianza, da Adega de Protos, originário da Denominación de Origen Ribera del Duero. O vinho é feito com uvas tempranillo, envelhecido

12 meses em tonéis de carvalho americano e 12 meses na garrafa. Sua harmonização com pratos elaborados e de cocção demorada como o cordeiro é perfeita, por sua complexidade de aromas, leve acidez e mescla de frutas vermelhas com baunilha.

Toro
Rua Joaquim Antunes, 224
Telefone: 3085.8485



Publicado na Revista Helvetia Polo Life - No. 21

4 comentários:

Anônimo disse...

O Toro é campeão no ambiente.

Já fui lá diversas vezes, mas o tapa que mais me marcou era um de beringelas, onde elas vinham em grandes bastões fritos, montados como se fossem uma torre.

Anônimo disse...

Oi Débora, ou melhor: Oi Debi,

Como a gente demora para conhecer as pessoas!
Eu não sabia que você escrevia sobre gastronomia e cultura, não!
Para mim, você era uma jovenzinha, estudante que quando muito fazia algum estágio. Nada contra esta fase tão importante de nossa vida, mas veja como nos enganamos! Li seu artigo e achei muito bem escrito. Gostoso de ler, educativo (relembrando-nos personagens interessantes da cultura espanhola), ao mesmo tempo trazendo informações e receitas dessa cozinha. Fiquei com vontade de conhecer o Toro.
Parabens!

Anônimo disse...

Debi, seu blog é literalmente delicioso, e eu não fazia idéia que você escrevia tão maravilhosamente bem.

Sabe, minha família é de orígem judaica-espanhola-búlgara, e mães e avós e bisavós sempre fizeram umas receitas que nem elas sabiam se vinham da bulgária ou da espanha. Pouco importa, porque agente sempre acabava lambendo os dedos.

Eu que chegava só na hora do garfo comecei a me aproximar do fogão recentemente, e fico muito feliz em recriar aqueles sabores seculares de família com as próprias mãos.

São sabores divinos, que o resto do mundo precisa conhecer, então estou juntando essas receitas num canto do meu blog.

Unknown disse...

E digo mais....
O lugar pode ser bem falado e tal, mas quando liguei perguntando se podia levar meu vinho me disseram que cobram rolha de R$ 50,00!!!!
Sou amante da boa comida mas principalmente de um bom vinho para acompanha-la. Fiquei abismado e, com tanta opção nessa nossa doida cidade, ando escolhendo lugares que não cobram ou ao menos são razoáveis. E se ainda cobrassem preço decente na carta de vinhos....mas abusam.